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A mostrar mensagens de 2010

FELIZ ANO NOVO!

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A Tia Natal

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Os dias corriam frios e húmidos lá na aldeia, fazendo jus à tradição dos meses de Dezembro, já há muito esquecido o verão de S. Martinho. Parecia que até a natureza partilhava o sentimento de muitas famílias do povoado, nesta época natalícia que, nesse ano, prometia consoadas amargas.
Até as minas de volfrâmio, único recurso nos tempos recentes de penúria, apesar da dureza das horas que impunham aos mineiros improváveis, tinham deixado saudades: também elas haviam cedido à crise que, impiedosamente, se instalara, atirando os homens da terra para uma servidão ainda maior, a de uma vida de extrema privação!
Há muito que os parcos proventos arrancados da horta, de tão intensamente utilizados, se haviam esgotado. Algumas couves e feijões, mais os restos de broa da última fornada esticavam-se, dentro da panela, na dura missão de iludir os estômagos das crianças, de rostos magros e pálidos, também do frio, sem dúvida mas, em especial, da falta do sustento mínimo para o seu débil cresciment…

Um sentido Adeus

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Numa das minhas habituais visitas ao Blogue "DE PROFUNDIS", descobri um texto que gostei imenso de ler e, com a devida vénia à autora do blogue e sua prévia autorização, vou hoje partilhar com os meus amigos.
Espero que gostem pelo menos tanto como eu.
As fotos foram escolhidas por mim no Google Imagens.



"Fez hoje uma semana que ela morreu e eu continuo sem conseguir encontrar as palavras. Lido mal com a morte, ela rouba-me a voz e deixa-me num silêncio negro e vazio... E contudo, queria ser capaz de me despedir, de lhe dizer todas as coisas que nunca lhe disse, embora acredite que ela as soubesse. Queria encontrá-la amanhã ou depois, sentada à mesa do café, na mesma cadeira de sempre, na solidão dos seus dias infinitamente iguais, lendo ou bordando, lanchando a torrada e a meia de leite sempre à mesma hora, sempre à mesma temperatura... Queria poder sentar-me junto dela, como tantas vezes fiz, conversando sobre o tempo e os livros, sobre as pernas que não lhe obedeciam, s…

despertares

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Em cada aurora, Desperto de sonhos, Sem medos, renascido, De ti, meu amor, Canto a beleza…
Por ti, Desperta a vida!
Dos meus "Versos de Cor Foto: Google Imagens

Oh donzela mais formosa

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Oh donzela mais formosa
Das que vê o azul do céu:
De ciúmes chora a rosa
Invejando o encanto teu!

Doce olhar, face mimosa,
Tudo envolve, como véu!
O sorriso, enlevo meu,
É aurora radiosa!

De teus lábios, doces beijos,
São vida, amor e ternura,
De felicidade, ninho!

És dona de meus desejos,
Flor suave, bela e pura:
É todo teu, meu carinho!
Foto: Google Imagens

PAI, querido Pai, SEMPRE

tivesse eu asas, Pai e o firmamento não teria fronteiras HOJE
como ontem, amanhã, SEMPRE! chegaria lá, lá onde estás,
(não sei onde é mas... sei que estás bem, como merece o melhor Pai do mundo!)
para te dar um beijo e um abraço do tamanho desse mundo: e dizer-te como ele, tão grande, é tão mais pequeno que o quanto ainda te amo, cheio de saudade!




mando a “Borboleta”
que pode voar:
… até sempre, até já, PAI!




eu não sei

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Eu não sei de destino, de fado, de vida, Eu não sei de mentira, eu não sei de verdade, Eu não sei nem de encantos de felicidade, Eu não sei nem de amor nem de mágoa sentida!
Eu não sei de sorriso, alegria perdida, Eu não sei de tristeza, eu não sei de saudade, Eu não sei estar inteiro, tampouco metade, Eu não sei de regresso, eu não sei de partida!
Eu não sei mais de claro e escuro na cidade, Eu não sei de teus olhos, de luz prometida, Eu não sei de desejo, nem se paixão arde!
Eu não sei da palavra que meu canto invade, Eu não sei do silêncio, da folha caída, Eu não sei de esperança: É cedo?... É tarde?...

Foto dos Olhares da Ju (http://olhares.aeiou.pt/juaninha8)

amor infindo

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De teus lábios Delícias Me sustentam
De teus cantos Carícias Me embriagam
De teus olhos Estrelícias Me iluminam

Em mim, por ti, Em nós, floresce
Amor infindo.
dos meus "Versos de Cor"
Foto da Net

vi em teus olhos

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Vi em teus olhos De luz vestidos Doce promessa De primavera

E … desfolhei-me Por seus encantos! 


(dos meus "Versos de Cor")


Foto: Imagens Google

dez réis de esperança

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Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.

Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos à boca
e viesse o que viesse.

Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,

aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,

não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,

essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,

se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.

António Gedeão


Foto: "É sol", Olhares da Gui (http://olhares.aeiou.pt/GuiOliveira)

teus olhos, minhas estrelas

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Era uma noite clara de luar, No céu brilhavam, belas, as estrelas Eu, em silêncio, só de as contemplar Era feliz, pois via-te, ao vê-las!
A luz, dourando o doce azul, no ar, Mais que da Lua se espalhando e delas Era, a meus olhos, teu saudoso olhar, Única luz que acende minhas trevas!
Não estava só, sentindo palpitar Em mim, por ti, um coração que anelas: Não é possível estar só, de tanto amar!
A brisa suave, a soprar nas janelas, Trazia o som de tua voz, sobre o mar E teu brilho, amor, apagava as estrelas!
Foto: Google imagens

ternura

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Desvio dos teus ombros o lençol que é feito de ternura amarrotada, da frescura que vem depois do Sol, quando depois do Sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade! há restos de ternura pelo meio, como vultos perdidos na cidade em que uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente, e é ternura também que vou vestindo, para enfrentar lá fora aquela gente que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós a despimos assim que estamos sós! 
David Mourão Ferreira
Foto: Google Imagens

Ah, poder ser tu, sendo eu!

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Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!
Fernando Pessoa
Foto: Google imagens

mensagem ao meu amor

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Meus olhos, voando, andaram Com o Sol, para poente, Apagando-se, contente, Da luz que os teus lhe roubaram.
No céu, com as aves cantaram, Na terra, foram semente, Só não cuidaram de gente Que, só de te ver, cuidaram!
Foram dizer-te o que sente Meu coração e voltaram Sem o sol - foi meu presente!
Com ele, o calor deixaram Do meu peito. E, novamente Ausentes, tristes ficaram!
Foto: Google imagens

... da saudade, um dia distante

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Quão breve, para mim, brilhou o dia, Quão breve junto a ti fui, um instante,  Tão longa me parece a noite fria Que nem amor aquece, pois distante!
Quão grande e louca foi minha alegria, Quão doce e terno o meu viver de amante, Assim é a tristeza que me guia Na saudade que, em mim, vive constante!

Oh! Quão ditoso o tempo em que sentia Meu coração e o teu um só, vibrante Do amor que, mesmo longe, se irradia!
Pudera revivê-lo agora, errante, A ti, mulher formosa, eu pediria: Sê, sempre, a meiga flor que eu ame e cante!



Foto: Forget me not, in http://olhares.aeiou.pt/juaninha8

setembro, mês do meu amor de todos os meses

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Penélope
mais do que um sonho: comoção! sinto-me tonto, enternecido, quando, de noite, as minhas mãos são o teu único vestido.
e recompões com essa veste, que eu, sem saber, tinha tecido, todo o pudor que desfizeste como uma teia sem sentido; todo o pudor que desfizeste a meu pedido.
mas nesse manto que desfias, e que depois voltas a pôr, eu reconheço os melhores dias do nosso amor.
David Mourão-Ferreira Foto: Google Imagens

chamo-Te porque tudo está ainda no princípio

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Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que eu quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz precipitado.
Sophia de Mello Breyner Andresen

Foto: Olhares da JU (http://olhares.aeiou.pt/juaninha8)

as águas da terra (3)

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SOFALA
Quem visita hoje a Praia Nova não acredita que, há trinta anos, ali circularam canoas e pescadores. Era menino e naquelas águas andei remando, deambulando por riachos cercados de árvores altas de mangal branco. Eu era pequeno, o mundo era grande. As marés eram o nosso relógio. Erguiam-se com tal convicção que o mar parecia ter apetites de devorar a cidade.
Visito hoje a mesma praia, no litoral da Beira, e interrogo-me se foi mesmo ali que me inventei ser marinheiro. Porque hoje se instalou ali um mercado informal e não há vestígio dos cenários das minhas aventuras.
A canoa afundou-se no tempo, as árvores evaporaram-se e onde havia um espaço a perder de vista, hoje tudo é pequeno, cobertura de ruas, barracas e um formigueiro de gente. Não me ocorre nostalgia. Os lugares nascem e renascem. Não existe morte, não há razão para haver luto. Como se emergisse desse outro tempo, uma garça branca levanta voo e cruza a minha lembrança.

IN "Pensageiro Frequente", Mia Couto, 2010, Ca…

as águas da terra (2)

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"MAPUTO
Maputo tem uma dívida permanente com o rio Umbeluzi. A cidade bebe das suas águas. Subo de canoa, contra a corrente, e vou parando nas margens lodosas. Ali, em pleno estuário, o Umbeluzi é rio ou é mar? As águas são salobras, as marés comandam, a vegetação nas margens são típicos mangais. Estamos mais em ambiente marinho que fluvial.



Vejo, então, o pequeno pastor trazendo os bois que se apressam para a margem. Parecem conhecer o provérbio local que diz: "O boi que chega primeiro é o que bebe água mais limpa." O menino senta-se sob uma sombra mais pequena que ele. De uma sacola encardida retira uma xigovia. Sopra na pequena cabaça e faz soar a improvisada flauta. A melodia, confesso, era monocórdica.


Para mim, naquele momento, soava como uma sinfonia. E acenei, da canoa. Não me respondeu. Não me percebeu o gesto. Entendeu, sim, que eu lhe pedia a cabaça. Ainda hesitou, por um momento. Mas, de súbito, fez lançar pelo ar a xigovia. Com algum esforço, juntei ambas as…

as águas da terra (1)

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Vou partilhar convosco, a partir de hoje, alguns textos do livro "Pensageiro Frequente", de de Mia Couto, minha mais recente leitura. Espero que apreciem tanto como eu, pelo menos!




"Niassa- Vê do outro lado?- Do outro lado?- Sim, do outro lado é o Malawi.- Mas, para mim, o outro lado é ainda água.Um lago quer-se do tamanho de um olhar, uma mancha redonda e azul num mapa. Este lago superou as margens, saltou de dimensão. É um mar. As ondas batendo-me nas pernas confirmam esse engano. Eu sempre quis ter um mar pequeno, um mar portátil, de trazer pelos sonhos. Não será ainda este. Adormeço em Metangula e ao longe escuto o bater das ondas no areal. A casa torna-se um barco. Assim, até o sonho nos adormece."



IN "Pensageiro Frequente", Mia Couto, 2010, Caminho (outras margens) Fotos do Lago Niassa em http://picasaweb.google.com/marvaldemar/Niassa#

amor

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o teu rosto à minha espera, o teu rosto
a sorrir para os meus olhos, existe um
trovão de céu sobre a montanha.

as tuas mãos são finas e claras, vês-me
sorrir, brisas incendeiam o mundo,
respiro a luz sobre as folhas da olaia.

entro nos corredores de outubro para
encontrar um abraço nos teus olhos,
este dia será sempre hoje na memória.

hoje compreendo os rios. a idade das
rochas diz-me palavras profundas,
hoje tenho o teu rosto dentro de mim.

José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão" Foto Google Imagens

há oásis

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nos desertos procuram-se oásis
ficam por lá as marcas de viajantes ... e de camelos
há vidas desertas pés escaldados sonhando oásis
há vidas, oásis em alguns desertos
... há viajantes
Foto: Olhares da JU (http://olhares.aeiou.pt/juaninha8

Saint-Exupéry - 110º aniversário do seu nascimento

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Antoine de Saint-Exupéry
França
[1900-1944]
Escritor/Aviador
Saint-Exupéry, nascido em Lyon a 29 de Junho de 1900, era um aviador que sobrevoou o norte de África até aos Andes. Ganhou diversos prémios pelos seus romances, mas a obra que o imortalizou conta a história de um aviador que conhece um principezinho, inspirada em experiências do autor. O livro é uma alegoria à inocência das crianças e ensina lições como «o essencial é invisível aos olhos» e «só se vê bem com o coração». Foi publicado em 1943, um ano antes da morte do escritor, e traduzido em mais de 100 línguas em todo o mundo.



Algumas citações, por temas:







AMIZADE
Os homens compram tudo pronto nas lojas... Mas como não há lojas de amigos, os homens não têm amigos
Ao reencontrar os amigos, todos nós já provamos o encanto das más lembranças
AMOR
Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direcção Fonte: "Terra dos Homens"
Do primeiro amor gosta-se mais, dos outros gosta-se melhor
Só se vê bem com o coração, o essenc…

meigo amor

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Que bom sorrir, com doçura, Cada aurora, ao sol nascente, Sentindo a sua ternura Viva, a meu lado, presente!
Cantar toda a formosura De seu ser resplandecente; De seu sorriso a candura Amar, feliz e contente!
Sentir batendo no peito, Abrindo as asas, ao vento, Meu coração pequenino:
Dela tomar, meigo, o jeito E fazer-me, num momento, Em seu regaço, menino!
Reedição
Imagem da net "Deep red rose"

caminho... e tempo

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O bom do caminho é haver volta.

Para ida sem vinda, basta o tempo.



Curozero Muando in "Um rio chamado Tempo, uma casa chamada Terra, Mia Couto
Foto da Gui: http://olhares.aeiou.pt/GuiOliveira




Sexta Feira, 18 de Junho de 2010, pelas 12,30 horas
MORREU JOSÉ SARAMAGO!


Chegou ao fim do caminho, terminou o seu tempo entre nós! Não posso deixar de citar uma das suas passagens no "Memorial do Convento" que, acho eu, cabe lembrar nesta hora:
"... O mar está longe e parece perto, brilha, é uma espada caída do sol, que o sol há-de embainhar devagarinho quando descer no horizonte e enfim se sumir..." (fala de Baltasar)Numa entrevista recente, falando da sua morte, dizia: "... o que mais me preocupa é o deixar de estar... mais do que o deixar de ser - que, obviamente, está implícito!


Vai deixar de estar, fisicamente, claro, mas "só" isso! Permanece a sua obra!

dia de PORTUGAL

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PORTUGAL, SEMPRE!

outros mares navegados já, porventura conhecidos mas, a descobrir: porque outros, porque estranhos, porque de outros, não nossos!
outros tempos, hoje ou amanhã, decerto incertos mas, a viver: porque novos, porque desafios, porque nossos, se quisermos!
outros homens, outros sonhos, outras lutas: O MESMO PORTUGAL, O DE SEMPRE!


Foto: Google Imagens

se tu soubesses, meu amor...

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embalado nas ondas do mar, calmo e silencioso, em noite calma de verão, cantei à lua, pensando em ti:
se tu soubesses como te amo!...
se tu soubesses, meu amor, ah, eu não teria de te dizer: eu seria noite, tu serias lua!…
se tu soubesses do meu amor!...
se tu soubesses, meu amor, bastaria amar-te assim, como a noite à lua, todas as noites!...
se tu soubesses, meu amor, minha vida!...
se tu soubesses, meu amor, eu seria… o que tu quisesses, todos os dias da minha vida: teu eterno amor!...


Foto: "Half a moon shows", in Olhares da Ju (http://olhares.aeiou.pt/juaninha8)