o grão de areia

era uma vez
um ínfimo grão de areia

um daqueles triliões e triliões que, por ali,
na fronteira entre terra e mar, se unem
qual tapete dourado,
jogando às escondidas
com o sol,
a espuma das águas salgadas,
os recantos mais íntimos
de enlaçados, descuidados amantes,
os castelos que inocentes mãos deixam ao tempo,
espelho vivo de contos,
histórias de sereias e fadas
jamais sonhados…

um daqueles que, qual exército
alinhado com o pó, em dura argamassa,
enforma casas, estradas ou templos
das belas cidades, criações do homem inquieto…

um daqueles que, cavados
na costa pelas ondas, ora suaves,
ora turbulentas,
se deixam embalar no seu vaivém constante,
indecisos
entre terra e mar…

um desses triliões e triliões
prendeu-se de amores pelo vento
e, embriagado com a sua leveza,
deixou-se levar, ar adentro,
numa infinda viagem, quiçá a mais bela,
mais longa e misteriosa,
buscando a liberdade!...



Foto: "Sanctuary" da Ju

Comentários

~pi disse…
buscando a liberdade de buscar :)




beijo





~
Delirius disse…
Oh Quicas, que fantastico, um grão de areia se perdendo de amores pelo vento..., ar adentro!... que imagem mais linda...:))

Beijo
valvesta disse…
...este pequeno grão não teria por acaso medo deste vento? qual o seria? vento forte? brisa suave? vi uma tempestade de areia, era assustadora, que amor dificil...
que linda estoria. encantadora...
bjs
Ricardo Calmon disse…
quicas poeta e escriba divino,amado nosso,lá em campos nossos,de girassois,voce viceja e brota sempre,de escritos teus através!e por isso,yes mui amados somos e seremos sempre!

viva la vida amado fraterno amigo!

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