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A mostrar mensagens de Março, 2010

Bom Domingo para todos

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Queridos Amigos e Leitores! Estou muito ocupado a ajudar um filho em mudanças: Perdoem que seja menos assíduo aqui, nestes momentos que partilho convosco e, também, nas visitas que, com enorme deleite, costumo fazer aos vossos espaços, durante as próximas semanas, duas, talvez três, serão uma eternidade, se pensar na falta que me fazem!
Mas... o que é isso, comparado com a alegria de ajudar um filho? Prometo que, sempre que me for possível, virei, pelo menos, ESPREITAR! ... e, entretanto, espero deixar-vos em boa companhia!



coroai-me de rosas

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Coroai-me de rosas; Coroai-me em verdade      De rosas - Rosas que se apagam Em fronte a apagar-se      Tão cedo! Coroai-me de rosas E de folhas breves.         E basta.



Fernando Pessoa / Ricardo Reis
Imagem: Google Imagens
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vidas primaveris

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amanheceu
crivado de andorinhas,
o céu azul do meu jardim:
voo picado sobre
as árvores, quietas,
de calma e paciente esperança!


as viajantes tardaram,
mas cá estão,
de novo, à disputa
da melhor estalagem,
o melhor ramo,
mais folhado e recatado,
para a materna missão!



e o meu jardim,
florido, embora,
dividiu as atenções do dia:



de flores se enfeita o céu mas,
de vida transbordam os ninhos!


Imagens: Google Imagens

maria campaniça (homenagem às ceifeiras)

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Debaixo do lenço azul com sua barra amarela os lindos olhos que tem! Mas o rosto macerado de andar na ceifa e na monda desde manhã ao sol-posto, mas o jeito das mãos torcendo o xaile nos dedos é de mágoa e abandono... Ai Maria Campaniça, levanta os olhos do chão que eu quero ver nascer o sol!
Manuel da Fonseca (Santiago do Cacém, 1911-1993)

     Imagens: Google Imagens

dia do pai (a pedido da Gui, a "Filha Velha"...)

sonhando acordado

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Tarde perdida
nos dias, sem dia: incerto algarismo na conta incontável,dos dias perdidos, sem tardes...
Gesto sumido no vago, num dia incerto, dos dias, sem tardes perdidas...
oh, dias ausentes, de presença!   - um dia?!

Foto: Olhares da Gui

canção

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Sol nulo dos dias vãos,
Cheios de lida e de calma, Aquece ao menos as mãos A quem não entras na alma!
Que ao menos a mão, roçando A mão que por ela passe, Com externo calor brando O frio da alma disfarce!
Senhor, já que a dor é nossa E a fraqueza que ela tem, Dá-nos ao menos a força De a não mostrar a ninguém!

Fernando Pessoa (Lisboa, 1888-1935)
Foto "Entre Céu e Chão" in Olhares da Gui: http://olhares.aeiou.pt/entre_ceu_e_chao_foto1557488.html

as vidas dos outros

... as vidas dos outros:         são tão simples para mim?!...

bom fim-de-semana!

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O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora.
(Avô Mariano) in "um rio chamado tempo, uma casa chamada terra", de Mia Couto


     Foto: "um chão que pisei" (Olhares da Ju)

homenagem a Sebastião Alba

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"Sou quem os que amo (ou detesto) pensam de mim"
  Sebastião Alba

NINGUÉM MEU AMOR

Ninguém meu amor ninguém como nós conhece o sol Podem utilizá-lo nos espelhos apagar com ele os barcos de papel dos nossos lagos podem obrigá-lo a parar à entrada das casas mais baixas podem ainda fazer com que a noite gravite hoje do mesmo lado Mas ninguém meu amor ninguém como nós conhece o sol Até que o sol degole o horizonte em que um a um nos deitam
vendando-nos os olhos


in O Poema: Sebastião Alba
http://www.culturapara.art.br/opoema/sebastiaoalba/sebastiaoalba.html

Foto: "Lost Tracks", Ju


a mão no arado

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Feliz aquele que administra sabiamente
a tristeza e aprende a reparti-la pelos dias
Podem passar os meses e os anos nunca lhe faltará

Oh! como é triste envelhecer à porta
entretecer nas mãos um coração tardio
Oh! como é triste arriscar em humanos regressos
o equilíbrio azul das extremas manhãs do verão
ao longo do mar transbordante de nós
no demorado adeus da nossa condição
É triste no jardim a solidão do sol
vê-lo desde o rumor e as casas da cidade
até uma vaga promessa de rio
e a pequenina vida que se concede às unhas
Mais triste é termos de nascer e morrer
e haver árvores ao fim da rua


É triste ir pela vida como quem
regressa e entrar humildemente por engano pela morte dentro
É triste no outono concluir
que era o verão a única estação
Passou o solidário vento e não o conhecemos
e não soubemos ir até ao fundo da verdura
como rios que sabem onde encontrar o mar
e com que pontes com que ruas com que gentes com que montes conviver
através de palavras de uma água para sempre dita
Mas o ma…

as cores do sol

nova, nova, nova, nova,

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Não era a minha alma que queria ter. Esta alma já feita, com seu toque de sofrimento e de resignação, sem pureza nem afoiteza. Queria ter uma alma nova. Decidida capaz de tudo ousar. Nunca esta que tanto conheço, compassiva, torturada           de trazer por casa. A alma que eu queria e devia ter... Era uma alma asselvajada, impoluta, nova, nova,           nova, nova! Irene Lisboa, in os poemas da minha vida (mário soares)




O que a memória ama, fica eterno. Te amo com a memória, imperecível.
Adélia Prado, in "Jesusalém", de Mia Couto

presente

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eu luto
dia a dia
entre primaveras
por manter a jovialidade

que permite
renascer a cada dia

como se fosse o primeiro
como se fora o último
sendo único!





Foto: "White tree" in olhares da Ju

duas palavras?

Longe
palavra que os lábios do coração gritam...!
Perto
o paradoxo distância na vida vivida...!

meigo amor

Que bom sorrir, com doçura Cada aurora, ao sol nascente, Sentindo a tua ternura Viva, a meu lado, presente!
Cantar toda a formosura De teu ser resplandecente, De teu sorriso a candura Amar, feliz e contente!
Sentir batendo no  peito, Abrindo as asas, ao vento, Meu coração pequenino:
Dela tomar, meigo, o jeito E fazer-me, num momento, em teu regaço, menino!

ao nosso amor, um poema, hoje, cristal

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Perdoem-me os meus queridos leitores e leitoras mas, neste dia em que se completam trinta e cinco anos de mútua entrega e dedicação, este jardim vai encher-se de flores para a muito amada companheira desta já longa história de AMOR: Lurdes, mais bela e amada Maria da minha vida, é para ti todo o amor e carinho que conseguir deixar transparecer deste canteiro!

Um dia, já distante mas, cada dia mais presente, uma linda flor, roubou o meu coração como, então, deixei nesta singela (ao jeito dos poetas medievais...?)
CANTIGA DE AMOR
Mote

A flor que vi em botão
roubou o meu coração!

Glosa
Já findava a Primavera,
de mim, tão querida estação,
flor que parecia quimera
subindo, em mim, como hera,
assaltou meu coração!

Das mais belas cores vestida,
logo em si achei prisão:
encheu toda a minha vida,
ao meu amor deu guarida
e dei-lhe o meu coração.

Seus olhos verdes, de esperança,
Mais me acenderam paixão:
p'ra si foi toda a confiança,
jamais quis outra lembrança
- é seu o meu coração!
Na felicida…