Reverso do tempo



As páginas revolvem-se, impacientes, quando sentem distante o calor dos dedos, eternos prisioneiros da pena. Passam-se tantas coisas nos intervalos dos dias! Pautam-se incontáveis linhas no recôndito das manhãs e, a cada momento, quais campainhas desafinadas, as palavras ainda não escritas ecoam nos ouvidos, teimosas, suplicando a sua afirmação. Percorridos os minutos, ébrios de todo e cada segundo já sorvidos, em catadupa, até ao sobressalto da frase capaz de traduzi-los, eis se revelam, em redemoinhos de letras, gota a gota, sobre a brancura inocente. Na confusão das emoções, pressentidas mas jamais ressentidas, as linhas preenchem-se, construindo-se na sombra das que as precederam, já saciadas de tempo! Presente, só aquele instante, distraído de sua plenitude, no verso da página gravada de véspera…

Foto da Ju: “Round  & Round”

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