Delírios



Em teu colo fiquei preso
Beijando, uma a uma, as flores
O aconchegando e, as folhas,
Verde promessa de amores
Dos quais quisera, donzela,
Ser, dentre todos, senhor,
Em negro fundo, qual tela,
Abrigaram meu ardor!

Bem juntinhos nossos corpos
Sonhando, dancei contigo,
De vida, dança singela;
Mas, despertei sem abrigo,
Ao dia faltando cores
E, de tal noite, a alegria,
De tua pele os odores,
Teus olhos, luz fugidia.

A noite ao romper do dia
E o luar minha candeia,
Nos jardins, da primavera,
O sol que a ti incendeia
E o canto das andorinhas
Espreitando a tua janela
Entoavam trovas minhas,
Rimas de amor, flor tão bela!

Vidas vivas as palavras
De rascunhos iludidos,
Traços, gritos e gemidos
De prazer, louca paixão,
No aconchego da emoção
Do mais lindo e terno abraço
Que ao despertar rouba espaço
E aos corpos ganha os sentidos!

Joaquim do Carmo
in"Amanhecer pelo fim da tarde"

Foto “Indefinit reflexions of me” de Ju Oliveira (Joana Carmo)
in http://olhares.sapo.pt/indefinit-reflexions-of-me-foto1679554.html

Comentários

Pat. Rocha disse…
Amigo Quicas,

Primeiro quero pedir desculpas pela minha ausência. Segundo, quero dizer que estou aqui para lê-lo novamente.

Espero que esteja tudo bem contigo e com a família.
Grande abraço,
Pat.
Cristal disse…
Adorei seu blog...agora sempre vou estar dando uma passadinha por aqui..sucessos
Malu disse…
Vou por lá, mas gosto de deixar o comentário por aqui...
Fazia tempo que não lia poemas teus. Sempre bom vir para visitar os amigos...
Um grande abraço, meu amigo!!!!

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