O Grão de Areia

era uma vez
um ínfimo grão de areia

um daqueles triliões e triliões que, por ali,
na fronteira entre terra e mar, se unem
qual tapete dourado,
jogando às escondidas
com o sol,
a espuma das águas salgadas,
os recantos mais íntimos
de enlaçados, descuidados amantes,
os castelos que inocentes mãos deixam ao tempo,
espelho vivo de contos,
histórias de sereias e fadas
jamais sonhados...

um daqueles que, qual exército
alinhado com o pó, em dura argamassa,
enforma casas, estradas ou templos
das belas cidades, criações do homem inquieto...

um daqueles que, cavados
na costa pelas ondas, ora suaves,
ora turbulentas,
se deixam embalar no seu vaivém constante,
indecisos
entre terra e mar...

um desses triliões e triliões
prendeu-se de amores pelo vento
e, embriagado com a sua leveza,
deixou-se levar, ar adentro,
numa infinda viagem, quiçá a mais bela,
mais longa e misteriosa,
buscando a liberdade!...

Joaquim do Carmo
in "Amanhecer pelo fim da tarde",
Lua de Marfim Editora, Abril de 2013





Comentários

Lídia Borges disse…

Há uma leveza em cada sílaba , em cada palavra que não admira ser fácil ao vento, transportá-las como a um grão de areia.
A mim chegaram-me como florações de inverno.

Um beijo
Muito bonito. Vou ver o vídeo.
Desejo que esteja bem.
Desejo-lhe a si e sua Família
Um Feliz Natal.
Bj.
Irene Alves
Terra de Encanto disse…
Muito, muito, sentido, e bonito.

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