Mãe Santíssima
rogai por nós, todos:
os que crêem,
os que não crêem,
os que não sabem ou têm dúvidas
e, especialmente, os que têm certezas!
os que não crêem,
os que não sabem ou têm dúvidas
e, especialmente, os que têm certezas!
De poemas se vestem os dias, os mares de horizontes… o momento, cada momento, veste-se de vida!
Não me procures ali
onde os vivos visitam
os chamados mortos.
Procura-me dentro das grandes águas.
Nas praças,
num fogo coração,
entre cavalos, cães,
nos arrozais, no arroio,
ou junto aos pássaros
ou espelhada num outro alguém,
subindo um duro caminho.
Pedra, semente, sal passos da vida.
Procura-me ali.
Viva
Hilda Hilst

asas no exílio de um corpo.Os braços calhas cintilantespara o comboio da alma.E os olhos emigrantesno navio da pálpebraencalhado em renúncia ou cobardia.Por vezes fêmea. Por vezes monja.Conforme a noite. Conforme o dia.Molusco. Esponjaembebida num filtro de magia.Aranha de ouropresa na teia dos seus ardis.E aos pés um coração de louçaquebrado em jogos infantis.