21 de agosto de 2012

Depressa é... algum tempo!



De novo às voltas com o “problema” tempo, sou levado a pensar que a solução estará tão dentro, tão dentro que, por mais que queira, não a vislumbro! Ou antes, tão à vista, tão ali ao pé, tão a jeito de quem queira, efectivamente, resolver que é possível que a chave esteja “aí”, no… “querer”!

Que o conceito de tempo leva “tempo” a discutir, parece-me evidente; que tudo se complica se, ao tentar compreender este, aparecem outros – por exemplo o de posse: “ter” / “agarrar”… – também e não estaremos senão a tentar “explicar” o momento, pressupondo que, pelo menos metodologicamente, tal abordagem “toca” algo compreensível…

“Tocá-lo”, “agarrá-lo”… será desafio talvez mais aliciante que tentar “compreendê-lo”… mesmo arriscando “perdê-lo”… de vez! “Tê-lo” presente, no presente porém, ininterruptamente, passando…

… depressa? Devagar?… Sem dúvida, o “seu”… (do tempo, obviamente!)

… (pausa para “ganhar tempo”!?)

Sem que alguma vez me tenha faltado “tempo” …

(ou será… assunto?!)

… para trocar estas ideias, resolvi partilhar a convicção de que, da interacção de pensares distintos, ainda que “só por instantes”, podem nascer outro tempo, outros instantes, quiçá novos porque sempre renovados, na vida que com os mesmos se vai preenchendo, apesar da apressada correria dos dias! E a quase certeza de que depressa, é… “apenas” algum tempo… ganho, ou perdido ou… (FIM?…)

Foto “Live” de Gui Oliveira in http://olhares.sapo.pt/live-foto1401432.html

5 de agosto de 2012

Estou



Estou, invariavelmente, a começar a escrever uma “nova página”! Cada dia…

Cada dia, novos velhos mundos se inventam vidas, anseios e esperanças à compita, palavras se baloiçando à espera da tinta que as eternize, ou mate, ou faça renascer! Ou, simplesmente, irreversivelmente, se tornem passado, esse já não ou nunca mais, esse irremediável, trágico ou cómico, porque definitivamente “encerrado”!…

Estou sempre a acabar de escrever uma “nova página”! Cada dia…

Estou, em cada dia, a reinventar-me, irremediavelmente, ao escrever uma nova “página”!

Estou…

Joaquim do Carmo
in "Amanhecer pelo fim da tarde"

Foto : “Composição”, do autor, in olhares (http://olhares.sapo.pt/composicao-foto4180972.html)

16 de julho de 2012

Mar... Amar...



Sobre a imensidão
Desse mar…
Nos olhamos!

Por entre os lamentos
Desse mar…
Nos ouvimos!

Com o gosto a sal
Desse mar…
Nos beijamos!

Imitando as ondas
Desse mar…
Nos amamos!

Desse mar
Neste amar…
A vida nos damos!

Joaquim do Carmo
in "Amanhecer pelo fim da tarde"

Foto “Sea of Lights”, da Joana Carmo (http://olhares.sapo.pt/sea-of-lights-foto1686506.html)

29 de maio de 2012

Dói o silêncio que resta




Passeavas em meu peito
qual princesa
de um reino sonhado,
vivo e cativante!
Cada aurora no meu sonho,
sorridente, tu cantavas
e, em meus dias,
tais momentos eram hinos
de prazer infindo!

Onde te escondes agora,
por que ocasos te prendeste
e, distante, me fugiste…
que não te vejo mais?

Dos matinais sons primaveris,
só a saudade… triste…
- Dói o silêncio que resta!

Joaquim do Carmo
in"Amanhecer pelo fim da tarde"

Foto de um quadro de Vincent Van Gogh

23 de maio de 2012

Era uma vez... na tarde



Distraída, a tarde esquecera-se do tempo, extasiada na contemplação do astro-rei incandescente, viajante solitário pelo azul cintilante do céu, quase tudo luz, quase tudo brilho, quase, porque as sombras das árvores, dispersas qual baralho de cartas abandonado aos caprichos do vento norte em pleno estio disfarçavam, em segredo, a canícula tão esperada como sufocante, ansiosa do sossego refrescante das fontes!
Lentamente, as cigarras penduravam seus gritos estridentes nos últimos raios solares, já menos abrasadores, repousando na promessa de renovados ardores, cedendo o espaço à saltitante algazarra dos passarinhos espreitando, por entre os folhedos, os despojos que os humanos deixaram pelo chão escaldado e sedento, no rescaldo da espera por um pouco de humidade.
Lá no alto, indiferentes à azáfama do recolher, as gaivotas passeavam-se, altivas, do mar para terra ou da terra para o mar, perscrutando as dunas, ao sabor dos ventos, entretanto mais suaves, indecisas entre o gosto do sal e a doçura das lagoas, mas atentas ao mais pequeno sinal, entre a espuma das ondas, para mergulhos picados, qual caçador treinado, paciente e certeiro.
Era o último fôlego para os viajantes do dia, incerto nos seus últimos minutos, sacudido pela brisa, refrescante, agora instalada para alegria dos seres amantes da acalmia: a seguir, outros haveriam de iniciar suas investidas neste universo plural, descansando por aqui até à volta das horas matutinas, anúncio de renovada esperança em lento despertar.
No firmamento aparecia a estrela da tarde, piscando o olho à lua, em crescendo, jogando às escondidas com a luz do poente, alaranjada e serena, cedendo o caminho, cansada, a novos passageiros celestiais: outras vidas, outras crenças, outras luzes, outros cantos… a calma da noite rompendo do espaço, tão imponente como o dia se instalando agora, por outras paragens, senhora dos silêncios reconfortantes, colo para os coaxares refrescantes no leito dos pântanos ou margens das lagoas: as rãs estavam lá, bem perto da tarde esquecida, lembrando-lhe o seu fim, condição de perenidade.
A tarde cedera, enfim, à lei do tempo e, reconfortada pela promessa de breve amanhecer, agora desperta, acomodava-se entre as esteiras da calma, suave, revigorante, promissora!
Pé ante pé, chegara a noite!
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Foto “Pôr-do Sol em Braga, da Ju (http://olhares.sapo.pt/por-do-sol-em-braga-foto1539322.html)