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A mostrar mensagens de Março, 2012

Estrela mensageira

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Canta, meu coração,
Canta sem fim!
Livre, espalha
Nas asas do vento
Suave
A voz que gritas em mim:
Vem estrelinha, vem,
Sê mensageira,
Leva ao meu bem,
Numa carícia,
Num beijo doce,
Palpitante,
Toda a força que tem
O meu amor,
Mesmo distante,
Feliz, porém,
De achar um ninho,
De sentir, bem vivos,
Ternura e carinho,
Todo o calor
Que meu ser mendiga!
Estende tua mão brilhante
E, generosa,
Toma meu peito,
Sacrário de amor feito:
Pousa-o na rosa
Mais bela, a Formosa
Musa de meus versos
E… enlaça nossos braços!
Joaquim do Carmo

Canto primaveril

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Sobre o azul do céu, Ainda vacilante Nasce o sol, desperto, Em seu trono brilhante.

No verde escondido Pintalga de estrelas, Pontos fluorescentes, A minha janela.

Bem seguro ao bico De andorinha amiga, Alegre e saltitante, P’los ramos das árvores

Canta-me ao ouvido, Como se em segredo, Em versos de luz: Vem, é Primavera!
Joaquim do Carmo
Foto: Google Imagens

Pai Amor Saudade

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Cedo demais, Pai, Nos morreste! Cedo demais, amigo, Nos deixaste! Cedo demais…
Pai, amigo, companheiro Te perdemos! E à tua luz, nosso farol, Tua palavra certa, sempre atenta, Tua mão segura e carinhosa!
Amor presença, Amor cuidado, Amor ternura, Amor verdade, Amor… … saudade: Do teu olhar, Pai, Do teu sorriso, Amigo, Do teu amor, Companheiro! Da tua Vida, Pai… saudade!
Joaquim do Carmo
Foto da Rita (http://olhares.sapo.pt/foto1958339.html)

Algumas reflexões sobre a Mulher – Eugénio de Andrade

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Elas são as mães: rompem do inferno, furam a treva, arrastando os seus mantos na poeira das estrelas.
Animais sonâmbulos, dormem nos rios, na raiz do pão.
Na vulva sombria é onde fazem o lume: ali têm casa. Em segredo, escondem o latir lancinante dos seus cães.
Nos olhos, o relâmpago negro do frio.
Longamente bebem o silencio nas próprias mãos.
O olhar desafia as aves: o seu voo é mais fundo.
Sobre si se debruçam a escutar os passos do crepúsculo.
Despem-se ao espelho para entrarem nas águas da sombra.
É quando dançam que todos os caminhos levam ao mar.
São elas que fabricam o mel, o aroma do luar, o branco da rosa.
Quando o galo canta Desprendem-se para serem orvalho.
Eugénio de Andrade
Foto “Enlightened”, da Joana

“Sim, quero!”

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O dia amanhecera chuvoso, quase ameaçando tempestade. A noiva, tão linda que era, mesmo não precisando, tinha marcação no cabeleireiro e, sem dúvida, ainda brilharia mais com seus olhos verdes de princesa primaveril! A manhã foi longa, arrastou-se por entre tímidos assomos do sol até à hora da cerimónia.
Junto do altar, naqueles minutos de espera, tão breves mas, tão longos, os momentos felizes e marcantes do seu namoro tão lindo ali, presentes, vivos: a primeira troca de olhares, tímidos, meio envergonhados mas profundos, daqueles que marcam para a vida; os primeiros passeios, às escondidas, mãos entrelaçadas em recantos de jardim; os segredos apaixonados, as promessas de amor eterno, os sonhos partilhados, os anseios e as dúvidas, as dolorosas saudades nas separações a que as voltas da vida já haviam obrigado, os raros arrufos de amor, os primeiros beijos e abraços, a sede de entrega plena, os projectos que se começaram a construir a dois… um filme, qual conto de fadas, passando ap…