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Montanha

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São muito raros os meus 'intervalos', na rotina de dias cansados e, mesmo assim, felizes, com que a vida me tem presenteado! Nesses momentos, descansados e despretensiosos, o papel joga ao esconde-esconde com a pena, um jogo intermitente que, não fora a persistência da pena
- ou será do 'esconderijo'?! Não sei mas... também não vem para o caso! -
sim, persistência, o papel jamais mudaria de aspecto, tão pálido tem andado há demasiado tempo! E aquela indecisão no alinhar das palavras, poesia, prosa, coisa nenhuma... bem, hoje, como tantas outras vezes, só Sophia para me ajudar a escalar a 'Montanha'!
E partilho-a convosco:
"MONTANHA
Vi países de pedras e de rios Onde nuvens escuras como aranhas Roem o perfil roxo das montanhas Entre poentes cor-de-rosa e frios
Transbordante passei entre as imagens Excessivas das terras e dos céus Mergulhando no corpo desse deus Que se oferece, como um beijo, nas paisagens."
Sophia de Mello Breyner Andresen, "Poema…

13 de Junho de 1948 - Carolina

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Entre o tear e a cozinha, a vida de Carolina corria ligeira, feliz, louvando a riqueza de um lar onde se respirava amor verdadeiro, alento para as dificuldades próprias de tudo o que começa, dia-a-dia realizando sonhos, pequeninos para quem tudo tem, imensos para quem do pouco se habituou a fazer muito!
No quinteiro, as cordas de secar a roupa enfeitavam-se de coeiros lavados de fresco no lavadouro das Corgas, alvos e brilhantes de envergonhar o Sol. Há meses que, lenta e muito alegremente, a casa por detrás das ‘Alminhas’ se enfeitava de Primavera, mais florida que jamais alguma outra, preparando a vinda do primogénito.
Na véspera, o dia tinha sido um não mais acabar de dores a ponto de, temendo estar próxima a hora, a Ti Linda do Rendeiro já ter ido a correr chamar a parteira para a filha, não fosse o neto aparecer sem dar tempo para mais preparação!
- Oh minha filha, tem calma e paciência, ‘inda tens para a noite toda, tenta descansar e logo me chamas de volta, afirmou a Ti Silvin…

Mais um dia...

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1 de Março de 2016... 41 anos de AMOR!
Mais um dia...
Mais um dia, uma vida, sonho lindo, aventura!
Teu sorriso, esse olhar, encanto, formosura!
Tua mão, minha mão, um só gesto: ternura!
Nossos beijos e abraços, partilhada doçura!
Mais um dia... uma vida de indelével ventura!
Joaquim do Carmo (a publicar) Foto: "Shadows of love", de Joana Do Carmo

Nas Entrelinhas do Tempo (fragmento)

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"(...) No firmamento aparecia a estrela da tarde, piscando o olho à lua, em crescendo, jogando às escondidas com a luz do poente, alaranjada e serena, cedendo o caminho, cansada, a novos passageiros celestiais: outras vidas, outras crenças, outras luzes, outros cantos… a calma da noite rompendo do espaço, tão imponente como o dia se instalando, agora, por outras paragens, senhora dos silêncios reconfortantes, colo para os coaxares refrescantes no leito dos pântanos ou margens das lagoas: as rãs estavam lá, bem perto da tarde esquecida, lembrando-lhe o seu fim, condição de perenidade... "

Joaquim do Carmo
Excerto de conto a publicar no "Nas entrelinhas do tempo"
Imagem: Van Gogh, "The Starry Night"

Nas Entrelinhas do Tempo (fragmento)

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"... O rio, de águas cristalinas, mostrava-se paciente e submisso às pancadas, mais ou menos violentas com que as lavadeiras, com as peças de roupa maiores, agitavam a corrente. A meio da encosta verdejante, da boca de uma mina que lhe dava o nome, ele assomava à luz do dia, sonolento, a espreguiçar-se pelo vale, indiferente às voltas a que seria obrigado para alimentar o lavadouro público. (...)"
Joaquim do Carmo (excerto de um conto a publicar no livro "Nas Entrelinhas do Tempo"
Imagem do quadro de Vincent van Gogh, "By the Seine"

Chamar teu nome...

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Chamar teu nome, olhar os olhos teus, Amor de sempre, bela flor de mar, É terno ensejo, uma bênção dos céus,  Qual melodia, ditoso cantar!
Beijar teus lábios, colados aos meus, Contigo, inteira, os dias partilhar, Calar o tempo, sem fim nem adeus, É nobre dita, destino sem par!
Anos e anos passados, enfim, Os nossos passos testemunham quanto Amor, sincero, nos mantém assim:
Nos dias todos, grávidos de espanto, Do alvor ao sol-pôr, o teu e o meu sim Gritam, da vida, o seu mais doce encanto!
Joaquim do Carmo
Imagem: Tim Parker, Abstract Figure Painting 2010

À melhor professora do mundo

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Escondem seus cabelos de perene beleza eterna juventude, que os anos não passam em vida generosa, dedicada, apaixonada!
Na memória do aluno, intocável e grata, palavras que gritam: Obrigado, professora:
pelo saber, pela entrega, pela generosidade, pela vida partilhada...
Vida que mudou minha vida para sempre, jamais a esquecerei: hoje, como então, é luz que guia meu caminho!
Joaquim do Carmo
Poema escrito em 12 de Julho de 2014 a pedido do amigo Jose Maria Lessa em homenagem à sua professora primária que reencontrou ao fim de várias décadas. Foto da net (autor desconhecido)

Para lá de muito longe

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Seria um dia como qualquer outro, não fora nada se passar de importante. O tempo, as árvores, as gentes, tudo parecia igual: era um dia mais, ou menos, conforme o ponto de vista – e que diferença faria!

Na aparente quietude, um gesto, um sorriso, um olhar, algo que pudesse fazer a diferença, nada: em vão a procura, a impaciência do murmúrio ou o total silêncio, o arrepio face ao imprevisto… (afinal, não era outro dia?!) nada.

Preparado para enganar o devir, instalado no espanto e na incerteza, dei por mim a pensar que, enfim, algo poderia acontecer nesse dia e eu, ainda mais espantado, podia ser parte do acontecimento: bastaria regressar de onde andava, estar no momento que me passava ao lado, fazer perto de mim o longe da ausência… e ser."

Joaquim do Carmo in "Nas Entrelinhas do Tempo" (a publicar)
Foto: Reprodução de quadro de Salvador Dali

... de volta ao futuro!

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(...) Nessas longas caminhadas, imerso nas mais estranhas divagações, surpreendias-te aterrorizado no meio de um capim já quase familiar, sobrevivendo, nem sabias como, à mais terrível das emboscadas, vinte e um anos, quase imberbes, suspensos de um golpe de sorte – “ainda” não tinha chegado a tua vez: talvez estivesse já ali, ao findar de um mês demasiado próximo, a menos que te aventurasses “a salto” além da fronteira.

Tudo adiado, tudo em jogo, talvez! Futuro… que futuro?! “Um dia de cada vez” era a frase mais ouvida entre os iguais, sempre com a ténue esperança de que fossem poupados. Quem sabe a tal madrugada chegava, sem aviso prévio, como só poderia ser! (...)

Joaquim do Carmo in "Nas Entrelinhas do Tempo" (excerto - a publicar)
Foto: Reprodução de quadro de Vincent Willem van Gogh

AMOR SEM NOME

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De eloquentes silêncios, suspenso, testemunho de momentos indesmentíveis, numa partilha sem limites, existe!...
Aos lunares humores, indiferente, ao invés seu aliado, fiel e constante em cada noite, cada dia, resiste!...
Alimenta alegrias, não saudades, tem no presente sua força, irresistível, em cada abraço, cada beijo, insiste!...
Vai muito além do que vêem os olhos, mais do que a pele, toca a alma, sabedoria, em cada gesto, cada olhar, persiste!...
Joaquim do Carmo (a publicar) Foto "Hunging over a red love" de Joana Do Carmo  © (direitos reservados)

... novo livro germinando!

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Foto "Enlightened" de Joana do Carmo
Apresento-vos hoje um pequenino "momento" do que poderá vir a ser o meu próximo livro...

"Partia em busca do sítio remanso que, noite após noite, habitava seus sonhos inquietos e vazios: haveria que trazer, de novo, brilho aos seus dias, agora tão sombrios e confusos; haveria que recuperar para si aquela alegria que transfigurava os seus olhos, agora tristes e, tantas vezes, ninho de lágrimas, em rios de cristalina e contagiosa felicidade; haveria que reinventar o calor de suas fiéis e desinteressadas amizades e o carinho revigorante de suas paixões mais sinceras."

Joaquim do Carmo, excerto de "Nas Entrelinhas do Tempo", (a publicar)
© (direitos reservados)

Devagar que tenho pressa!

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Sempre às voltas com o “problema” tempo, sou levado a pensar que a solução estará tão dentro, tão dentro que, por mais que queira, não a vislumbro! Ou, talvez, tão à vista, tão ali ao pé, tão a jeito de quem queira, efectivamente, resolver que é possível que a chave esteja “aí”, no… “querer”!
Que o conceito de tempo leva “tempo” a discutir, parece-me evidente; que tudo se complica se, ao tentar compreender este, aparecem outros mais – por exemplo o de posse: “ter”… “agarrar”… – e não estaremos senão a tentar “explicar” o momento, pressupondo que, pelo menos metodologicamente, tal abordagem “toca” algo compreensível… “Tocá-lo”, “agarrá-lo”… será desafio talvez mais aliciante que tentar “compreendê-lo”… mesmo arriscando “perdê-lo”… de vez! “Tê-lo” presente, no presente porém, ininterruptamente, passando… … depressa? Devagar? … Sem dúvida, o “seu”…! (… tempo, obviamente!)
(pausa para “ganhar tempo”!?)
Foto " # ", de Gui Oliveira, in Olhares
Sem que alguma vez me tenha faltado “te…

BOM ANO!

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O Menino vem!

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O Menino vem... sempre, ano após ano, dia após dia, apesar de tantas vezes, demasiadas vezes, vivermos afastando-nos d'Ele, negando-O repetidamente!
Mas vem e, porque é cheio de misericórdia, continuará a vir, para todos e, especialmente, para todos os de boa vontade!
Sejamos desses para, em verdade, podermos celebrar o Natal em paz, com alegria, tornando-nos, como Ele, pequeninos!


FESTAS FELIZES para todos e o meu sincero agradecimento aos amigos que aqui voltaram já, neste recomeço, deixando seus comentários e votos de boas festas!

Sobressalto

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(...) Passeavas-te, desapercebida, num rumo feito de imprevistos e surpresas, umas agradáveis, outras difíceis e indesejáveis. Enfunavas teus vestidos ao vento, soltos e atrevidos, quais velas enfrentando o desconhecido, em viagem sem começo e sem fim programado, ao sabor da corrente. Não davas pelo tempo, eras toda movimento e no baloiço das ondas desafiavas o destino, sem medo nem ansiedades controladas! No horizonte desdobravam-se reflexos coloridos, desafiantes, atraentes, convidativos…
De repente, como se batida por inusitada ventania, despertaste para a tua solidão, navegando uma dúvida impertinente e dolorosa: fora sonho ou pesadelo? (...) © Joaquim do Carmo in "Nas Entrelinhas do Tempo" (excerto de texto - a publicar)
© Foto: "Ragging Waters" de Joana do Carmo

O Grão de Areia

era uma vez um ínfimo grão de areia
um daqueles triliões e triliões que, por ali, na fronteira entre terra e mar, se unem qual tapete dourado, jogando às escondidas com o sol, a espuma das águas salgadas, os recantos mais íntimos de enlaçados, descuidados amantes, os castelos que inocentes mãos deixam ao tempo, espelho vivo de contos, histórias de sereias e fadas jamais sonhados...
um daqueles que, qual exército alinhado com o pó, em dura argamassa, enforma casas, estradas ou templos das belas cidades, criações do homem inquieto...
um daqueles que, cavados na costa pelas ondas, ora suaves, ora turbulentas, se deixam embalar no seu vaivém constante, indecisos entre terra e mar...
um desses triliões e triliões prendeu-se de amores pelo vento e, embriagado com a sua leveza, deixou-se levar, ar adentro, numa infinda viagem, quiçá a mais bela, mais longa e misteriosa, buscando a liberdade!...

Joaquim do Carmo
in "Amanhecer pelo fim da tarde",
Lua de Marfim Editora, Abril de 2013




FESTAS FELIZES!

De volta ao Blogger, amigos, hoje para vos desejar FESTAS FELIZES!

Retrato

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Pensamentos se cruzam:
- encontro?!

Silêncios,
ausência presente,
convergência…

um ponto
rubro,
vivo,

no peito!…

Sim!

Joaquim do Carmo, 02/08/2013 (a publicar)
© (direitos reservados)
Foto Fabien Queloz Photography

Irmão, quem?

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Na noite escura,
quanto sofrimento e dor
se esconde que, a Lua, débil,
envolta na nuvem
espessa,
veloz, do vento
forte, assobiando,
a luz não dá
à terra… silenciosa.

Mas, no silêncio, até,
na treva também,
do sofrimento, a voz,
a fúria dos ventos não cala:
e eu oiço!

Está na curva da estrada,
no meio do monte,
além, talvez: é longe, mas é!

É um rosto
cujos olhos choram!…
É um braço
cuja mão estende!…
É um Irmão
que amor a ti pede!

Mas como?!
Eu… dar amor a esse
também,
desconhecido,
de mim nunca visto
mais doente e pobre?!…

Pois, sim: a esse
e, ainda, àquele,
ao outro, igualmente!

Pensa bem: eles são
(não vês tu, porém?!)
Jesus, Jesus Cristo,
a quem dizes:
AMO!…

Joaquim do Carmo (a publicar)
© (direitos reservados)
Foto “http://www.esquerda.net/artigo/portugal-é-o-nono-país-mais-pobre-da-ue”

Um “mar” de lembranças

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Crónicas de verão

- Um “mar” de lembranças

Impávida e serena, a praia resistia na contemplação do horizonte sempre se renovando! Cada manhã, ansiosa da luz prometida de véspera, deixava-se embalar nas ondas refrescantes, retemperadoras após o calor do estio, horas e horas escaldando as areias até às dunas, berço de chorões pacientes, persistentes.
Ali bem perto, escassos, escondidos entre prédios frequentes, alguns jardins tentavam enganar a canícula e, entre tapetes de relva bem tratada, abrigavam frágeis flores que, já longe a Primavera, decoravam a paisagem e perfumavam o ar do Verão abrasador.
A marginal parecia adormecida, saboreando ainda, na ressaca de mais uma refrega com veraneantes sôfregos de sol e água salgada, a calma deixada pelo último pôr-do-sol, tons laranja se reflectindo até onde a vista alcançava, promessa de mais um dia de calor!
No passadiço – moderna investida na imensidão do areal – onde serenos caminhantes haviam desfilado sob a brisa refrescante, procurando rete…