Chamar teu nome, olhar os olhos teus,
Amor de sempre, bela flor de mar,
É terno ensejo, uma bênção dos céus,
Qual melodia, ditoso cantar!
Beijar teus lábios, colados aos meus,
Contigo, inteira, os dias partilhar,
Calar o tempo, sem fim nem adeus,
É nobre dita, destino sem par!
Anos e anos passados, enfim,
Os nossos passos testemunham quanto
Amor, sincero, nos mantém assim:
Nos dias todos, grávidos de espanto,
Do alvor ao sol-pôr, o teu e o meu sim
Gritam, da vida, o seu mais doce encanto!
Joaquim do Carmo
Imagem: Tim Parker, Abstract Figure Painting 2010


