6 de fevereiro de 2008

volto já

:
Devagarinho, a luz estende seus braços ao longe, até onde os olhos, ainda meio adormecidos, conseguem enxergar. É de sonhos que despertam as árvores, as flores, as aves! É de viagens por mundos impossíveis que arribam as maravilhas desta realidade, tão improvável como certa, tão imprevisível como esperada, acessível como a utopia, desafio, jogo de contingências, porém, promessa de imortalidades!

Não sei! Não desejo mais que perguntar, que alimentar de dúvidas mais este esforço pela esperança - afinal, a luz voltou, por quanto tempo? Não deixo de estar onde me deixei, donde me expus à maré, para ficar, ou partir, ou regressar! As aves, essas vão e vêm até que os ventos as deixem ficar, ou partir, ou regressar! As flores, essas abrem, ou fecham, ficam ou transcendem-se, até não voltarem! As árvores, essas, morrem de pé, depois de muito persistirem, vestidas ou despidas pelas estações!

Vou ficar - afinal, tenho mais uma oportunidade!

22 de janeiro de 2008

dia-a-dia

os dias são sempre depois dos dias

e, entre eles, as noites, os sonhos, o acordar?
e a esperança?
e o acreditar que amanhã também vai ser dia?



e a vida
que não pare em qualquer beco
sem saída?

a vida
os dias
as noites
os sonhos...
... os dias, cada dia, ao acordar!


16 de janeiro de 2008

inclinado en la tarde

Inclinado nas tardes lanço as minhas tristes redes
aos teus olhos oceânicos.
Ali se estira e arde na mais alta fogueira
a minha solidão que esbraceja como um náufrago.

Faço rubros sinais sobre os teus olhos ausentes
que ondeiam como o mar à beira de um farol.
Somente guardas trevas, fêmea distante e minha,
do teu olhar emerge às vezes o litoral do espanto.

Inclinado nas tardes deito as minhas tristes redes
a esse mar que sacode os teus olhos oceânicos.
Os pássaros noturnos debicam as primeiras estrelas
que cintilam como a minha alma quando te amo.

Galopa a noite na sua égua sombria
derramando espigas azuis sobre o campo.
PabloNerudaTradSemIdfotofireMarcelPollner, em un-dress