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23 de junho de 2016

13 de Junho de 1948 - Carolina


Entre o tear e a cozinha, a vida de Carolina corria ligeira, feliz, louvando a riqueza de um lar onde se respirava amor verdadeiro, alento para as dificuldades próprias de tudo o que começa, dia-a-dia realizando sonhos, pequeninos para quem tudo tem, imensos para quem do pouco se habituou a fazer muito!
No quinteiro, as cordas de secar a roupa enfeitavam-se de coeiros lavados de fresco no lavadouro das Corgas, alvos e brilhantes de envergonhar o Sol. Há meses que, lenta e muito alegremente, a casa por detrás das ‘Alminhas’ se enfeitava de Primavera, mais florida que jamais alguma outra, preparando a vinda do primogénito.
Na véspera, o dia tinha sido um não mais acabar de dores a ponto de, temendo estar próxima a hora, a Ti Linda do Rendeiro já ter ido a correr chamar a parteira para a filha, não fosse o neto aparecer sem dar tempo para mais preparação!
- Oh minha filha, tem calma e paciência, ‘inda tens para a noite toda, tenta descansar e logo me chamas de volta, afirmou a Ti Silvina, bem experimentada nestas andanças!
Chegado do emprego, o marido da Carolina, ante todo o alvoroço que encontrou em casa, já adivinhava que essa noite seria mal dormida e, do jeito que pôde, lá foi ajudando a esposa a preparar-se, o melhor possível, para o evento que se avizinhava!
Longa foi a noite, de facto! Felizmente que a parteira vivia ali perto porque, bem cedinho, foi preciso acordá-la a correr para acudir a Carolina: pelas sete e meia da manhã desse já distante dia de Santo António chegava, com as orvalhadas, pequenino, o primogénito da Carolina e do Joaquim, para lhes encher as vidas de alegrias, por certo mas, também, das canseiras que um novo rebento sempre traz consigo!

Quicas (Joaquim do Carmo)
Foto: Junto ao poço da casa de meus avós maternos, por baixo duma velha laranjeira eu, com cerca de oito meses de idade!

1 de março de 2016

Mais um dia...


1 de Março de 2016... 41 anos de AMOR!

Mais um dia...

Mais um dia,
uma vida,
sonho lindo, aventura!

Teu sorriso,
esse olhar,
encanto, formosura!

Tua mão,
minha mão,
um só gesto: ternura!

Nossos beijos
e abraços,
partilhada doçura!

Mais um dia...
uma vida
de indelével ventura!

Joaquim do Carmo (a publicar)
Foto: "Shadows of love", de Joana Do Carmo

4 de setembro de 2015

Nas Entrelinhas do Tempo (excerto)


"(...) No firmamento aparecia a estrela da tarde, piscando o olho à lua, em crescendo, jogando às escondidas com a luz do poente, alaranjada e serena, cedendo o caminho, cansada, a novos passageiros celestiais: outras vidas, outras crenças, outras luzes, outros cantos… a calma da noite rompendo do espaço, tão imponente como o dia se instalando, agora, por outras paragens, senhora dos silêncios reconfortantes, colo para os coaxares refrescantes no leito dos pântanos ou margens das lagoas: as rãs estavam lá, bem perto da tarde esquecida, lembrando-lhe o seu fim, condição de perenidade... "

Joaquim do Carmo
Excerto de conto a publicar no "Nas entrelinhas do tempo"
Imagem: Van Gogh, "The Starry Night"

20 de agosto de 2015

Nas Entrelinhas do Tempo (excerto)



"... O rio, de águas cristalinas, mostrava-se paciente e submisso às pancadas, mais ou menos violentas com que as lavadeiras, com as peças de roupa maiores, agitavam a corrente. A meio da encosta verdejante, da boca de uma mina que lhe dava o nome, ele assomava à luz do dia, sonolento, a espreguiçar-se pelo vale, indiferente às voltas a que seria obrigado para alimentar o lavadouro público. (...)"

Joaquim do Carmo (excerto de um conto a publicar no livro "Nas Entrelinhas do Tempo"

Imagem do quadro de Vincent van Gogh, "By the Seine"